O presente trabalho tem como objetivo fazer algumas reflexões sobre ética no uso de testes psicológicos. Tais reflexões terão como base os textos lidos na disciplina de Avaliação Psicológica I, do curso de Psicologia, da Universidade Federal do Rio Grande (FURG).
Segundo Dantas (2006), os testes psicológicos tem como objetivo medir as diferenças individuais. Ainda segundo a autora, a questão central no que se refere ao uso dos testes, não são os testes propriamente ditos, mas sim a forma como são utilizados pelos profissionais.
Nesse sentido, Dantas (2006) ressalta alguns aspectos que devem ser levados em consideração no que se refere ao uso deste instrumento: necessidade de conhecimento aprofundado, conhecimento prático das condições de aplicação, conhecimento técnico-científico do teste, conhecimento da teoria psicológica subjacente ao teste, compreensão técnico-científica a respeito do ser humano, necessidade de resguardar o conteúdo dos testes, etc.
Apesar de o artigo de Dantas (2006) focar na discussão sobre o uso privativo dos testes pelo profissional de Psicologia, todos os itens mencionados acima me parecem muito pertinentes nas questões referentes à ética do profissional que faz uso desta técnica.
Para mim, o primeiro ponto a ser considerado é se o profissional tem o conhecimento necessário para aplicar e, principalmente, interpretar determinado teste. Segundo Pasquali (2001, p. 39), “os testes são instrumentos técnicos e seu manejo geralmente necessita de pessoal treinado e conhecedor do instrumento, como qualquer aparelho de tecnologia sofisticada” (apud DANTAS, 2006, p. 3). Mas será que o título de psicólogo garante que o profissional está capacitado para o uso dos testes psicológicos? Para mim a resposta é “NÃO”.
Seguindo essa mesma linha de raciocínio cabe aqui mencionar o estudo de Noronha (2002), que trata dos problemas no uso dos testes psicológicos. Entre estes problemas está a formação do psicólogo que cria e aplica os referidos testes, formação esta que não capacita este profissional para tal atividade. Por outro lado, o Código de Ética do Psicólogo (2005), em seu Art. 1º, diz que “São deveres fundamentais do psicólogo: b) Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais esteja capacitado pessoal, teórica e tecnicamente”.
Diante disso, acredito que seja papel do profissional, caso a sua formação não lhe tenha proporcionado isso, estudar e buscar se qualificar para o uso dos testes psicológicos e, só depois disso, adotar os instrumentos na sua prática profissional. Afinal, ainda segundo o Código de ética, no seu IV artigo dos princípios fundamentais: “O psicólogo atuará com responsabilidade, por meio do contínuo aprimoramento profissional, contribuindo para o desenvolvimento da Psicologia como campo científico de conhecimento e de prática”.
Referências:
Conselho Federal de Psicologia (2005). Código de ética profissional do Psicólogo. Disponível em: http://www.pol.org.br/pol/export/sites/default/pol/legislacao/legislacaoDocumentos/codigo_etica.pdf
DANTAS, M. V. Uso privativo dos testes psicológicos. Tecitura, Vol. 1, No 2, (2006).
NORONHA, A. P. P. Os problemas mais graves e mais freqüentes no uso dos testes psicológicos. Psicol. Reflex. Crit., vol.15, n.1, pp. 135-142, (2002).
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Links interessantes:
Orientação quanto ao uso dos testes psicológico – CRP – SP
RESOLUÇÃO CFP N.º 002/2003 - Define e regulamenta o uso, a elaboração e a comercialização de testes psicológicos.