O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma síndrome que se caracteriza por desatenção, hiperatividade e impulsividade. Estudos internacionais estimam que o TDAH afeta 5% da população mundial.
Segundo a psicóloga Leila Tardivo, “hiperatividade existe, sim. Mas acho também que esse assunto virou moda, eu diria que temos hoje uma hiperdiagnose”. Independente dessa estatística corresponder ou não à realidade, uma coisa é certa: o TDAH existe e causa sofrimento tanto para os portadores do transtorno quanto para seus familiares. “O mundo para os portadores deste transtorno é exigente e perturbador, um sofrimento que eles só sabem exteriorizar por meio de sua excitação, de sua agitação psicomotora” (Roberto Lopes).
Além dos prejuízos cognitivos – dificuldade de concentração e de aprendizagem, por exemplo – o TDAH também causa prejuízos sociais. Sendo assim, crianças e adolescentes que contem com o apoio da família, dos amigos e da escola tem chances de evoluir positivamente tanto na vida particular quanto na trajetória escolar. Por outro lado, quando não percebem esse apoio, podem desenvolver comportamentos rebeldes e até mesmo delinqüentes. Pesquisas demonstram relação, em alguns casos, do TDAH com Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) e Transtorno de Conduta (TC). Estes transtornos são caracterizados por uma postura agressiva e desafiadora da criança ou adolescente em relação a qualquer figura de autoridade.
As causas do TDAH podem estar relacionadas tanto a fatores ambientais quanto genéticos. No entanto, características como hiperatividade, comportamentos opositivos desafiadores e de conduta podem ser mais facilmente identificadas em crianças e adolescentes que vivem em ambientes conflituosos e com práticas educativas inconsistentes, negligentes ou agressivas.
Nesse caso, o contra-ponto também é válido. Muitas vezes por serem mais inquietas, as crianças e adolescentes hiperativos acabam por gerar posturas menos adequadas (pra não dizer inadequadas) por parte dos adultos como, por exemplo, repressão, castigos, violência, etc. Nesses casos, essas crianças e adolescentes podem reagir com irritabilidade e agressividade gerando um círculo vicioso, em que não é possível saber o que veio primeiro (o comportamento da criança/adolescente ou do adulto). Ou seja, no que se refere às causas do transtorno pode-se afirmar que não existe um único fator determinante, estando presentes a genética, o ambiente e a personalidade do indivíduo.
Em relação ao tratamento, a medicação é necessária na maioria dos casos. A Ritalina (nome comercial do princípio ativo metilfenidado) é o mais utilizado nos casos de TDAH e funciona como um estimulante do sistema nervoso central. Entre os benefícios da Ritalina está a capacidade de estimular a atenção e o controle motor. Como efeitos colaterais tem-se a perda do sono e do apetite, podendo acarretar em algumas crianças, em perda de peso acentuada. Apesar disso, segundo Leila Tavino, em muitos casos “a medicação é essencial para a minimização do sofrimento do paciente”.
Para concluir, é impossível falar em TDAH e não mencionar o desafio das escolas em receber esses alunos. Segundo a Lei de Bases e Diretrizes da Educação (LDB), “o dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino” (Artigo 4º, inciso III). A pergunta que fica é: será que as escolas públicas estão preparadas pra enfrentar esse desafio? Bom… isso já é assunto pra outro texto, visto que a resposta certamente não é simples.
Fonte: Revista Psique Ciência e Vida, ano V, nº 53 (Mais que ativos: hiperativos).
——–
Deixo aqui a sugestão de leitura de outro texto, também escrito por mim sobre o assunto: Educação Inclusiva.